É um imperativo da vida que os indivíduos reproduzam, fazendo com que sua linhagem exista por um período maior que o de sua própria existência. Contudo, reproduzir implica que a energia adquirida por um indivíduo, através de síntese ou alimentação, seja dividida entre a manutenção de seu próprio organismo, a produção de gametas, desenvolvimento e crescimento do embrião, briga por parceiros reprodutivos e corte. Desta forma, a reprodução implica em custos energéticos para os indivíduos desde os primeiros estádios da divisão celular (vale lembrar que, no caso de fêmeas, ao longo da linhagem gametogênica as células reprodutoras acumulam reservas energéticas, isto é verificado pelo aumento no tamanho dessas células ao longo das etapas da ovogênese!).

Para se estimar os custos reprodutivos para um determinado tipo de organismo é necessário saber o quanto da energia adquirida é utilizada para a manutenção e o quanto é direcionada para a reprodução. Uma forma usual de se estimar esta alocação reprodutiva é uma divisão entre a massa da gônada e a massa corporal. No caso de plantas pode ser utilizado a massa da semente dividida pela massa da planta. Este estimador de alocação reprodutiva á freqüentemente utilizado para lagartos! É importante notar que embora esta relação tenha um grande viés energético ela é expressa em unidade de massa (g, Kg) e não energética (Kcal) (veja em Vitt, 1978).

Um aspecto importante quanto ao uso da energia pelo progenitor diz respeito a dualidade tamanho de prole x qualidade da prole. Produzir uma prole numerosa significa reduzir o aporte de energia por indivíduo produzido, aumentando as chances de mortalidade neonatal. Do contrário, produzir uma prole pequena implica em aumentar o aporte de energia per embrião diminuindo as chances de mortalidade nos neonatos. De fato, filhotes que recebem um maior provimento de energia durante o período embrionário estão aptos a sobreviverem em condições adversas.

A espécie de lagarto Tropidurus semitaeniatus é especialista na utilização de fendas em rochas na caatinga. As fêmeas desta espécie possuem uma pequena ninhada como forma de minimizar os custos reprodutivos na utilização de refúgios (fendas) contra seus predadores. Certamente ao longo do tempo evolucionário os indivíduos que possuíam uma ninhada maior que a ninhada média atual sofreram maior mortalidade (predação) que os indivíduos com menor tamanho de ninhada. Neste caso os benefícios de possuir uma ninhada numerosa é suplantado pelo de possuir uma prole menor porém com maiores chances de sobrevivência para os progenitores e consequenemente maiores chances de reproduzirem futuramente. Em uma outra espécie, fêmeas ovígeras possuem menor capacidade locomotora, ficando mais suscetíveis à predação do que aquelas não ovígeras.

Alguns artigos:

Ballinger, R. E., Clarck, D. R. Jr. Energy of lizard eggs and the measurement of reproductive effort. Journ. Herpetol. 7(2), 1973.

Doughty, D., Shine, R. Detecting life hhistory trade offs: measuring energy stores in “capital” breeders reveals cost of reproduction. Oecologia, 110: 508-513, 1997.

Tinkle D. W. The concept of reproductive effort and its relation to the evolution of life histories of lizards. Am. Nat. 103(933), 1969.

__________, Hadley, N. F. Lizard reproductive effort: Caloric estimates and comments on its evolution. Ecology. 56: 427-434. 1975.


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