Seleção r e K

Outubro 8, 2007 | | Leave a Comment




Uns dos principais conceitos em ecologia diz respeito a seleção em atributos da história dos organismos vivendo em ambientes relativamente estáveis e previsíveis ou daqueles que vivem em um meio em constante mutação, portanto imprevisíveis.

A discussão a respeito do balanço entre o investimento energético com prioridades para a reprodução ou o investimento em sobrevivência a longo prazo, remonta ao final dos anos 60. Apesar da idéia sobre o conceito da seleção r e K em populações ter sido discutida anteriormente, estes termos foram cunhados por MacArthur e Wilson em seu clássico: “The theory of island biogeography” publicado no ano de 1967 e mais tarde discutido por Pianka também em um clássico: On r- and K-Selection publicado em 1970.

Temos que entender estas duas estratégias de investimento energético à luz da seleção natural.Uma vez que é o meio quem impõe restrições fazendo com que os organismos com as características mais apropriadas em um determinado momento sejam aqueles que deixem um maior número de descendentes. Assim, em relação aos aspectos da história de vida dos organismos, podemos caracterizar os habitats em dois tipos:

1- Aqueles nos quais qualquer redução nas taxas de crescimento corporal que resultam do investimento reprodutivo de um organismo tem um efeito negativo significativo no valor reprodutivo residual (uma combinação da sobrevivência e fecundidade no futuro). Em outras palavras um habitat com intensa competição entre indivíduos em que deixar de investir em crescimento implica em permanecer em estágios com poucas vantagens competitivas e elevado risco de morte. Deste modo, pode-se conseguir aptidões similares ao se combinar elevado investimento em reprodução com baixa taxa de crescimento ou pouco investimento em reprodução com grande investimento em crescimento. Conceitualmente se trata este tipo de habitat como habitat com alto custo reprodutivo.

2-Aqueles nos quais o valor reprodutivo residual é pouco afetado pelo crescimento do organismo. Desta forma a aptidão é determinada tão somente pelo investimento em reprodução dos organismos. Tendendo a continuar a ser assim qualquer que seja o investimento em crescimento.

Assim, o tipo de habitat ocupado por uma determinada população deve impor restrições quanto ao número e tamanho de prole em função do investimento ou do não investimento em crescimento e sobrevivência.

Como ressaltado por Pianka (1970), devemos entender estas duas estratégias como extremos de um continuo onde:

Populações r-selecionadas: Vivem em um ambiente completamente livre de competição e sem nenhum efeito da densidade populacional. Desta forma a estratégia selecionada seria investimento um amplo direcionado à reprodução, com pequena alocação energética por indivíduo da prole e produção de uma progênie quão numerosa possível.

Populações K-selecionadas: Vivem em um ambiente saturado de organismos onde os efeitos da densidade populacional são grandes. Neste tipo de ambiente a estratégia ótima seria um maior direcionamento de energia à manutenção somática e crescimento em detrimento de um menor investimento em reprodução. Nestes organismos a energia seria direcionada para uma progênie menos numerosa, contudo, com maior aporte energético por indivíduo produzido.

Tabela seleção r e K


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